Ministério Público Eleitoral recebe enxurrada de denúncias contra prefeitos por ameaças de paralisar obras e demissões


imagem: redes sociais - A gazeta ES
A Justiça Eleitoral no Espírito Santo registrou uma enxurrada de denúncias ao longo do último final de semana (10 e 11 de outubro de 2026) contra prefeitos municipais. Os relatos apontam para uma estratégia coordenada de coação eleitoral, com prefeitos utilizando a máquina pública para ameaçar a população e servidores com a paralisação de obras e demissões em massa caso o candidato ao governo Ricardo Ferraço (MDB) venha a ser derrotado nas urnas.
O Caso de Baixo Guandu
O episódio mais emblemático e que detonou a onda de indignação popular ocorreu em Baixo Guandu. O prefeito Lastênio Cardoso (MDB) publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando abertamente que a administração municipal seria obrigada a demitir cerca de 700 servidores comissionados caso Ricardo Ferraço perca a eleição para o governo estadual.
A declaração gerou repercussão imediata:
Pressão popular: Mais de mil comentários tomaram as redes sociais no final de semana, com eleitores e entidades exigindo a intervenção enérgica dos órgãos de fiscalização.
Retirada do conteúdo: Diante da forte pressão jurídica e do desgaste político, o prefeito apagou o vídeo de seus perfis oficiais.
Avaliação Jurídica: Risco de Crime Eleitoral e Abuso de Poder
Especialistas em direito eleitoral alertam que a prática extrapola o debate político legítimo e adentra a esfera criminal.
"Associar a manutenção de empregos, obras e serviços ao voto em determinado candidato, usando a autoridade do cargo para pressionar eleitores, pode configurar o crime previsto no artigo 300 do Código Eleitoral, além de possível abuso de poder político, nos termos da Lei Complementar nº 64/1990." — Hélio Maldonado, advogado eleitoral e membro da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da OAB.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) segue monitorando o volume expressivo de novas denúncias vindas de diferentes municípios do estado e avalia medidas cautelares para coibir o uso da máquina pública na reta final da disputa eleitoral.
Procurado pela reportagem de A Gazeta, Lastênio Cardoso afirmou: “Só estou falando a verdade, se a verdade for crime, então devo pagar.” Segundo o prefeito, os impostos arrecadados com as obras ajudam a pagar parte dos servidores e o transporte de estudantes para o Ifes.
“Se as obras pararem, nós não teremos os impostos dessas obras, esse dinheiro é que pagamos uma parte dos servidores e o transporte para o Ifes. Quem quiser pagar pra ver, fica à vontade”, declarou.
A campanha de Ricardo Ferraço também foi procurada pela reportagem, mas não havia respondido até a publicação deste texto. Em caso de resposta, a matéria será atualizada.


